Um apelo à conversão e à purificação do coração
O encontro espiritual reuniu fiéis para momentos de oração, reflexão e formação, traçando o itinerário rumo à santidade durante o tempo favorável da Quaresma.
Na noite da última sexta-feira, 6 de março, a Comunidade de Santa Ana de Mastrong, Paróquia Nossa Senhora de Assunção – Liberdade transformou-se num cenáculo de oração e penitência. A vigília quaresmal, que reuniu dezenas de fiéis, não foi apenas um evento de agenda, mas uma profunda experiência de paragem e escuta, inserida no espírito de preparação para o Mistério Pascal que a Igreja celebra anualmente.

A jornada espiritual teve início com um ambiente de recolhimento, onde o louvor e a adoração ao Santíssimo Sacramento prepararam o terreno do coração para as sementes da Palavra. Entre cânticos e silêncios, a comunidade foi convidada a despojar-se das distrações do mundo para entrar na “escola do deserto”.

Na ocasião o Padre Romão, que, na sua meditação sobre a liturgia da palavra, exortou os presentes a uma escuta activa e existencial das Escrituras. O sacerdote recordou que a Bíblia não é um livro de registros passados, mas uma voz viva. “A Palavra de Deus não fala apenas ao ouvido, fala sobretudo ao coração. Quando a escutamos com sinceridade, ela revela-nos quem somos e aponta-nos o caminho que devemos seguir”, sublinhou.
O centro da formação teológica da noite esteve ao cargo do Padre António, que abordou a purificação da alma através de um diagnóstico espiritual dos obstáculos que impedem a comunhão com o Criador. O sacerdote identificou os “sete pecados do coração”, destacando o perigo do esquecimento de Deus e o fechamento ao amor fraterno.

“Quando o coração esquece Deus, começa a procurar sentido apenas nas coisas do mundo, e isso nunca preenche completamente a vida humana”, alertou o Padre António. Durante a sua palestra, foram ainda dissecados vícios como a inveja, o orgulho e o ressentimento, sendo este último apontado como uma prisão espiritual. “O perdão não é apenas um gesto para o outro, é também uma libertação para quem perdoa”, acrescentou
Para além, da formação teológica, houve igualmente, um espaço para olhar e reflectir os passos concreto para uma conversão autêntica, ao cargo da Irmã Rufina. Utilizando a parábola do Filho Pródigo, a religiosa lembrou que a consciência da própria fragilidade é a “porta de entrada” para a graça divina.
“Ninguém encontra o caminho de volta enquanto não reconhecer que se perdeu”, afirmou a irmã, enfatizando que a santidade é uma decisão diária de abandonar o vazio do pecado pela plenitude da casa do Pai. No final, lançou um desafio que ecoou na assembleia: “Como podemos reconhecer os nossos pecados e descobrir o caminho que nos conduz à santidade?”

A noite de 6 de março foi um marco de renovação e reforçou que a Quaresma não se resume a práticas exteriores, mas exige uma coerência profunda entre a oração no templo e a caridade na vida quotidiana.
Com o coração renovado, a comunidade segue agora o seu caminho quaresmal, consciente de que a conversão é um processo contínuo de crescimento na fé, na esperança e, sobretudo, no amor.